Um novo teste independente colocou o impacto energético do DLSS 5 sob os holofotes. Em Cyberpunk 2077, uma GeForce RTX 5090 Founders Edition registrou até 91,7 °C em um ponto do conector de alimentação de 16 pinos quando a tecnologia da NVIDIA estava ativa.

Os números vêm de testes realizados pela publicação sul-coreana QuasarZone e repercutidos pelo Tom's Hardware. Além da temperatura do conector, as medições encontraram aumentos relevantes no consumo médio e nos picos de potência da RTX 5090.

É importante, porém, separar o resultado medido de uma conclusão mais ampla: trata-se de um teste específico sob condições controladas, e os dados não demonstram por si só que ativar o DLSS 5 causará falhas ou danos em todas as RTX 5090.

Conector da RTX 5090 chegou a 91,7 °C

A QuasarZone executou Cyberpunk 2077 durante 20 minutos em resolução 4K, preset Ultra e DLSS Quality, com temperatura ambiente de aproximadamente 27,5 °C. Foram testadas a RTX 5090 Founders Edition, uma ASUS ROG Astral RTX 5090 e uma RTX 5080 Founders Edition.

Na RTX 5090 Founders Edition, o lado da trava do conector de 16 pinos foi de 77,1 °C com DLSS 5 desligado para 83,4 °C com a tecnologia ligada. No lado oposto, a medição aumentou de 80,9 °C para 91,7 °C.

Conector de alimentação 16 pinos 12V-2x6 de uma GeForce RTX 5090.
No teste da QuasarZone, um dos pontos medidos no conector da RTX 5090 Founders Edition passou de 80,9 °C para 91,7 °C com DLSS 5.

A temperatura do próprio núcleo da GPU também aumentou, mas permaneceu abaixo do ponto mais quente medido no conector. A média do núcleo passou de 79,4 °C para 83 °C, enquanto o pico foi de 82,3 °C para 86,3 °C.

Consumo médio também aumentou com DLSS 5

As leituras de telemetria feitas pelo HWiNFO mostraram a RTX 5090 passando de uma média de 509,2 W sem DLSS 5 para 575,1 W com a tecnologia ativa — aumento de aproximadamente 13%.

A RTX 5080 Founders Edition também apresentou aumento no mesmo teste, saindo de 298,2 W para 350,3 W em média.

Medições externas realizadas com PCAT registraram valores ainda maiores na RTX 5090. O consumo médio total passou de 527,3 W para 593,9 W, enquanto o pico aumentou de 582,5 W para 658 W.

GeForce RTX 5090 Founders Edition durante teste de consumo de energia.
Medições externas via PCAT registraram 646,7 W de pico somente pela entrada de 16 pinos e 658 W de pico para a placa durante o teste com DLSS 5.

Considerando especificamente a entrada de alimentação de 16 pinos, o teste registrou 582,7 W de média e pico de 646,7 W com DLSS 5 ativo. O pico é o número que vem chamando atenção na repercussão do teste e não deve ser confundido com consumo médio contínuo.

Corrente por pino permaneceu dentro da especificação no teste normal

A QuasarZone também analisou individualmente os seis pinos de alimentação usando uma ASUS ROG Astral RTX 5090 configurada com limite de potência de 575 W.

Sem DLSS 5, as leituras ficaram entre 6,94 A e 7,47 A por pino. Com DLSS 5 ativo, passaram para uma faixa entre 7,83 A e 8,51 A.

Segundo os dados reportados, todas essas medições permaneceram abaixo do limite de 9,2 A citado para cada pino. A margem, porém, ficou menor sob a carga adicional.

O teste também simulou um cenário de conexão problemática com um dos pinos deixando de conduzir. Nesse cenário simulado, e não durante a operação normal de todos os contatos, a carga máxima calculada chegou a 10,1 A com DLSS 5.

Por que DLSS 5 exige mais da GPU?

O DLSS 5 representa uma mudança significativa em relação às gerações anteriores da tecnologia. A NVIDIA descreve o sistema como uma etapa de neural rendering guiada por dados 3D que utiliza o frame produzido pelo próprio motor do jogo como base para adicionar detalhes de iluminação e materiais.

Cyberpunk 2077 executado em 4K em uma GeForce RTX 5090 com tecnologia DLSS.
A QuasarZone executou Cyberpunk 2077 em 4K, preset Ultra e DLSS Quality durante 20 minutos em ambiente controlado.

Segundo a NVIDIA, o processamento é executado localmente nas GPUs GeForce RTX 50 e utiliza informações como cor do frame e vetores de movimento, enquanto desenvolvedores recebem controles para preservar estrutura, identidade dos personagens e direção artística.

Essa carga adicional ajuda a explicar por que testes recentes têm encontrado aumento no consumo ao ativar o recurso, embora o comportamento possa variar conforme jogo, GPU, configuração, implementação e limite de potência.

O que o teste significa para donos de RTX 5090

Os resultados não significam que toda RTX 5090 usando DLSS 5 atingirá 91,7 °C no conector ou apresentará problemas. Eles mostram, contudo, que cargas de neural rendering podem elevar significativamente a demanda energética em determinadas condições.

Para usuários da RTX 5090, os números reforçam a importância das práticas já recomendadas para GPUs de alto consumo: garantir que o conector esteja completamente encaixado, evitar tensão excessiva no cabo próximo ao plugue e utilizar fonte e cabeamento adequados à placa.

O resultado também abre uma questão relevante para a evolução do DLSS 5. Conforme neural rendering passa a ocupar uma parcela maior do pipeline gráfico, desempenho visual deixa de ser a única variável importante: consumo, temperatura e comportamento elétrico também entram cada vez mais na discussão.